Santa Maria reúne especialistas para discutir o futuro das abelhas e do mel gaúcho
novembro 5, 2026
2:43 pm
Referência na produção de mel no País, com 10.935 toneladas (IBGE/2025), o Rio Grande do Sul reúne mais de 30 mil apicultores e meliponicultores. Apesar da relevância econômica e ambiental da atividade, especialmente para a Agricultura Familiar, o setor ainda enfrenta obstáculos para ampliar a produção e conquistar novos mercados. As dificuldades estarão no centro das discussões do 3º Simpósio de Apicultura e Meliponicultura da Região Central do Estado, que inicia nesta sexta-feira (6/11) e vai até sábado (7/11), no Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em Santa Maria.
Com palestras, oficinas e exposição de produtos, o encontro pretende discutir os avanços e os desafios das duas atividades, com atenção especial à meliponicultura. O segmento, dedicado à criação de abelhas nativas sem ferrão, esbarra em dificuldades relacionadas à legislação, à assistência técnica e à regularização sanitária dos produtos.
Um diagnóstico divulgado pelo governo gaúcho em 2024 apontou que produtores e técnicos consideram prioritária a revisão das normas que regulamentam a criação destas espécies sem ferrão, a coleta de mel e a comercialização de seus derivados. Sem regras mais adequadas às características das abelhas nativas, o acesso a mercados mais amplos permanece limitado.
A proposta do Simpósio, no entanto, é ir além do diagnóstico e apresentar alternativas para fortalecer a cadeia produtiva.
A Emater/RS-Ascar está entre as instituições que apresentarão iniciativas de apoio aos produtores. O trabalho inclui orientação técnica, incentivo ao manejo racional, aumento da produtividade, regularização sanitária, ambiental e fiscal, além do estímulo à agroindustrialização, à homeopatia e à comercialização de mel, própolis, cera e outros produtos.
“Nosso trabalho vai desde a orientação e assistência técnica para incremento na produção e produtividade, manejo racional, tanto na apicultura quanto na meliponicultura, manejo das espécies de abelhas nativas e suas particularidades, orientações sobre o cadastro sanitário, ambiental e fiscal da atividade, fomento à agroindústria e ligação dos produtos como mel, própolis, cera e meliprodutos”, afirma Laila Simon, assistente técnica estadual em Apicultura da Emater/RS-Ascar.
Apesar das dificuldades climáticas enfrentadas por algumas regiões desde o fim de 2025, com períodos de estiagem e temperaturas elevadas, a produção gaúcha apresenta sinais de recuperação. A produtividade voltou a crescer. A média tem oscilado em torno de 20 a 30 quilos por caixa, sinalizando a recuperação de um cenário que vinha de 10, 15 quilos.
A Agricultura Familiar responde por 70% da estrutura produtiva da apicultura gaúcha. O dado reforça a importância econômica da atividade para milhares de famílias rurais.
PROGRAMAÇÃO
Sexta-feira – 6 de novembro
8h30: Abertura.
9h: Fortalecimento da Apicultura e da Meliponicultura no RS: ações da Emater/RS-Ascar, com Laila Simon (Emater/RS-Ascar)
9h40: Produção e Padrões Físico-Químicos do Mel de Apis mellifera na Região Central do RS, com Rafael Venturini e Mari de Oliveira (UFSM)
10h20: Coffee break
10h50: Apicultura e Meliponicultura: técnicas e cuidados para a produção orgânica de mel, com Luís Fernando Wolff (Embrapa e Mapa)
13h30: Legislação: abelha nativa sem ferrão, com Flávio Flores Pires (Sema/RS)
14h: Legalização sanitária de empreendimento inspecionado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) para beneficiamento de mel de abelhas sem ferrão: desafios, estratégias e resultados da experiência de Caraá (RS), com Samuel Sperandio (Emater/RS-Ascar), Júlio Garcia (Prefeitura de Caraá) e Wagner Durr (meliponicultor)
14h40: Melhoramento Genético de Abelhas: como isso funciona?, com Fabiana Costa Maia (UTFPR)
15h50: Coffee break
16h20: Oficinas simultâneas:
Uso de homeopatia na atividade agrícola, com Ricardo Machado e Patrick da Silva Rosa (Emater/RS-Ascar)
Preparo de alimento energético e proteico para abelhas Apis mellifera, com Gilberto Wenzel e Eloi Machado (Emater/RS-Ascar)
Multiplicação de Enxames de Abelhas sem Ferrão, com Adriano Rudi Maixner (UFSM).
Hidroelétrica Artesanal: princípios e práticas de produção, com Pedro Joel Silva da Silva Filho (UFSM)
Saboaria Artesanal com Mel de Jataí, com Flânia Mônego Argenta (UFSM).
Sábado – 7 de novembro
8h – Integração do Conceito de Pasto Apícola aos Serviços de Polinização e Produtividade Agrícola, com Charles Fernando dos Santos (UFRGS).
9h10 – Meliponicultura no RS: construindo um setor forte e sustentável, com Betina Blochtein (Observatório de Abelhas do Brasil).
10h20: Resultado do 1º Concurso de Mel de Apis melífera.
10h30: Coffee break
11h: Oficinas simultâneas:
Manejo para troca de rainhas Apis para alta produtividade, com Décio Schnen (Apiário Sehnen)
Transferência para caixas racionais de abelhas sem ferrão, com César Comoretto (Meliponário Guaçu)
Produção de extrato de própolis, com Roselaine Flores e Gilberto Machado (Meliponário Abelhinhas de Ouro e Apiário Wilges)
Confecção de ninhos provisórios e atrativo de abelhas sem ferrão (ASF), com Rafael Venturini, Flânia Mônego Argenta e Raviel Dieckel (UFSM)
Alimentação artificial de abelhas sem ferrão, com Saulo da Silva Penna Neto e Priscila Eberle (Meliponário Iramirim)
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