Uma investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso e Combate à Intolerância (DPICOI) de Santa Maria resultou na deflagração da Operação Juris Fictio, voltada à desarticulação de uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes digitais contra idosos.
No balanço divulgado sobre a operação, a Polícia Civil informou a prisão de 12 pessoas e o cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão. A investigação, entretanto, identificou 16 pessoas como integrantes ou envolvidas no esquema, conforme os dados apresentados pela corporação.
A apuração teve início após uma moradora de 68 anos de Santa Maria ser vítima do chamado “golpe do falso advogado”, em 2024.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima recebeu uma ligação de uma pessoa que se apresentou falsamente como representante de um conhecido escritório de advocacia de Brasília. Durante o contato, ela foi informada de que teria direito a receber R$ 1,2 milhão. Para supostamente liberar o dinheiro, os criminosos passaram a cobrar valores referentes a custas e taxas que não existiam.
Convencida pela falsa representação, a idosa realizou sucessivas transferências por Pix. Ao todo, segundo a investigação, o prejuízo chegou a R$ 150 mil.
Investigação rastreou grupo até o Ceará
A partir da denúncia registrada em Santa Maria, os policiais realizaram análise de dados bancários e rastreamento digital. Segundo a Polícia Civil, a apuração permitiu identificar integrantes do grupo que atuavam no Ceará e que teriam obtido vantagem financeira a partir do prejuízo causado à vítima.
A operação contou com suporte do Laboratório de Operações Cibernéticas (CIBERLAB/DIOPI/SENASP/MJSP) e apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Santa Maria e da Polícia Civil do Ceará.
As ações foram realizadas nos municípios de Fortaleza, Maracanaú, Pacatuba, Caucaia e Guaiúba. Foram determinadas medidas judiciais, incluindo prisões preventivas, buscas e apreensões e bloqueio de contas bancárias e valores.
Falsa promessa de dinheiro
O golpe investigado em Santa Maria utiliza uma estratégia conhecida como engenharia social. Os criminosos se passam por profissionais ou representantes de instituições legítimas e exploram a confiança das vítimas para convencê-las a fornecer informações ou realizar pagamentos.
Neste caso, a promessa de receber uma quantia elevada foi utilizada como isca. Depois de estabelecer contato com a vítima, os suspeitos apresentaram supostas despesas necessárias para que o dinheiro fosse liberado.
Para a delegada Débora Dias, responsável pela operação em Santa Maria, o caso demonstra como criminosos exploram a vulnerabilidade de pessoas idosas.
“Os golpistas se aproveitam de nomes de escritórios conhecidos e criam cenários falsos para induzir as vítimas a erro, gerando graves prejuízos financeiros e emocionais”, afirmou.
Segundo a autoridade policial, a integração entre as forças de segurança foi fundamental para localizar os suspeitos.
“A integração com a Polícia Civil do Ceará e o suporte do CIBERLAB foram decisivos para mapearmos a localização e perfeita identificação do grupo para cumprir as ordens judiciais. O recado é claro: as barreiras estaduais não impedirão a responsabilização daqueles que cometem crimes contra a nossa população”, declarou Débora.
Nome da operação
O nome “Juris Fictio” vem do latim e significa “ficção jurídica”. A denominação faz referência à estratégia dos investigados de criar uma falsa realidade jurídica, apresentando-se como advogados ou representantes de escritórios legítimos para conquistar a confiança das vítimas.
Os investigados são apontados pela Polícia Civil como responsáveis por crimes cujas penas, somadas, podem ultrapassar 29 anos de reclusão. As responsabilizações, contudo, dependem do andamento da investigação e do processo judicial.
Foto: PC/Divulgação














